Teatro Nacional de São João

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A fachada é o elemento maior da arquitetura, o ato que concretiza o interior de um edifício e cria a fronteira entre o exterior e o interior. Ela personifica o interior, revelando apenas o que pode ser contado, e define o papel do edifício na cidade, integrando-se num todo que orquestra o terri...

A fachada é o elemento maior da arquitetura, o ato que concretiza o interior de um edifício e cria a fronteira entre o exterior e o interior. Ela personifica o interior, revelando apenas o que pode ser contado, e define o papel do edifício na cidade, integrando-se num todo que orquestra o território, as pessoas e as épocas. A fachada deve manifestar a importância do que se passa dentro do edifício e o cenário do que acontece fora, sendo o reflexo estético e simbólico de uma época, traduzido pelo desenho do arquiteto, os cálculos do engenheiro e a execução dos operários.

Ao longo da história, a técnica e a expressão da fachada evoluíram: da fachada medieval fechada e pesada, à gótica rasgada por vitrais coloridos, ao resplendor barroco que demonstra as conquistas internas. O Teatro São João é um exemplo clássico deste processo, com sua fachada que, após o incêndio de 1908, foi reinventada pelo arquiteto José Marques da Silva, inspirado na Ópera Garnier, criando um friso de figuras que expõem emoções humanas como amor, ódio e até nudez, com o betão disfarçado de pedra para suspender estas esculturas.

Decorridas décadas, a fachada do teatro, após sofrer abandono, foi reativada entre 1992 e 1995, sendo valorizada pela intervenção colorista de João Carreira nos anos 90. No século XXI, as esculturas apresentaram deterioração e precisaram de uma intervenção cuidadosa, que foi destacada nesta vigésima sétima edição da Sebenta d’Obra, onde a arquiteta Ângela Melo e a engenheira Esmeralda Paupério revelam como mantiveram o “sorriso e as lágrimas” de cada escultura, exemplificando um verdadeiro trabalho de relógio, história, construção e respeito pelo saber de várias épocas.